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Editorial - A Desconstrução do Invisível

O século XXI avança num difuso caminho, diluindo os fragmentos daquele mundo, ou perspetiva de futuro, legado atenciosamente pelos nossos avôs e pais. A civilização humana entra numa nova era, guardando ainda os pesados mantos das estruturas conservadoras e patriarcais que persistem em continuar. Enquanto as ruínas do mundo antigo eclodem em guerra, um novo horizonte de emancipação emerge morosamente, libertando as identidades antes reprimidas.

O advento da contemporaneidade abre uma nova esfera, onde o indivíduo se redescobre, sobretudo sexualmente, e procura encontrar a sua identidade, que está imersa numa espessa teia social, cultural e económica. Contudo, o esforço para a libertação colide com o patriarcado e conservadorismo, alicerçados por uma estrutura capitalista, que operam para marginalizar indivíduos, ou comunidades não-cisheteronormativas.

Embora tenha havido um grande progresso em matéria de direitos das mulheres e pessoas LGBTQIA +, ainda há uma longa jornada até à emancipação. Hoje, o conservadorismo reganha importância enquanto instrumento de controlo e disciplinamento do corpo. Rússia, Hungria, Estados Unidos, etc., retrocedem em matéria de Direitos Humanos, decretando uma micropolítica sobre o corpo que pretende fechar as sociedades, circunscrevê-las a uma função produtiva e reprodutiva. A diversidade é, muitas vezes, tida como desestabilizadora e perigosa pelo que, desde sempre, é tido como desejável que os indivíduos sejam semelhantes nas suas práticas e identidades. É necessário contrariar a visão segundo a qual há uma forma correta e “normal” de viver a sua orientação sexual.

A A Salto pretende debater justamente o presente contexto, os problemas estruturais que afetam a comunidade LGBTQIA+, num horizonte de conhecimento plural e combativo pela emancipação e transformação social, contra o conservadorismo

Descobrir a micropolítica, os arames farpados que prendem e constrangem as identidades, são objetivos transversais às várias entrevistas e artigos deste III Debate. A saúde, a educação sexual, a discriminação em espaço público e a pressão para a performance, entre outros temas, são objetos de construção social suscetíveis à transformação social e inclusão, contrariando lógicas de poder alicerçadas a um mundo heteronormativo, monogâmico e branco.

Desvelando os problemas marginalizados, a A Salto quer desconstruir e tornar visível o que era invisível.


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